
Diz ela, com a convicção de quem sabe amar e conhece os recantos do amor mais puro e mais superficial. Sim, esses amores todos. Desde que haja amor (epidérmico ou metafísico) ela lá está, na primeira fila, no primeiro momento, a tomar nota, a registar, a sentir, a imaginar. Tem os cadernos cheios de apontamentos, as paredes escritas a lápis de cera, os cortinados cheios de retalhos, os móveis cobertos de lembranças deste e daquele amor. Não são troféus, desenganem-se, são memórias vivas, todo um espólio do ontem que se respira hoje. «Agora? Agora vou a tudo o que tenha amor», disse ela, cansada do cinzento da solidão, da ausência do arco-íris e das mãos frias. E do coração que bate sem ritmo. Se tem amor, ela está lá. Ela e as suas mãos frias (diga-se que nunca gostou de luvas). Resta saber se a consegues encontrar, pois é esquiva a sua forma de ser e de amar.
olhar de João Paca | palavras de Joana Sousa
para acompanhar com Florence and the machine | remain nameless
Nota: o título foi roubado no twitter, à @JoannaAzevedo
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