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	<description>Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir</description>
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		<title>dor no (e de) olhar</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 19:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca ele tinha pensado que a podia perder. Um dado adquirido, desde e para sempre. A vida só fazia sentido assim: a dele e a dela. Pelo menos para ele. «Um dia levo-te a conhecer as ruas de Paris. Gostavas?» Claro que ela gostava. Sonhava com Paris e as suas ruas movimentadas. Claro que ela <a href='http://olharapalavra.com/?p=322'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC0072_FB.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-323" title="_DSC0072_FB" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC0072_FB.jpg" alt="" width="750" height="563" /></a></p>
<p>Nunca ele tinha pensado que a podia perder. Um dado adquirido, desde e para sempre. A vida só fazia sentido assim: a dele e a dela. Pelo menos para ele.</p>
<p>«Um dia levo-te a conhecer as ruas de Paris. Gostavas?»</p>
<p>Claro que ela gostava. Sonhava com Paris e as suas ruas movimentadas. Claro que ela gostava de partilhar esse momento com ele. Lado a lado.</p>
<p>Ele tentou. Disse que tentou. Aliás, naquele cenário triste e final, a única coisa de que se lembrava era do que tinha prometido. A viagem.</p>
<p>A casa estava vazia. Sim, havia móveis, objectos. Os dele. Mas a casa estava terrivelmente vazia. Fazia eco uma tristeza profunda de quem tinha perdido o sentido para a vida.</p>
<p>Ela? Ele? Quem perdeu, afinal?</p>
<p>Ela? Que desistiu de esperar pela viagem, pelo lado a lado?</p>
<p>Ele? Que nunca pensou ser possível amar e ignorar tanto e ao mesmo tempo aquela que apregoava como a sua razão de viver?</p>
<p>«Eu tentei. Fiz tudo.»</p>
<p>«Não fizeste – disse-lhe – mas isso agora pouco importa. O tempo não volta atrás. Lida com o momento. Procura-a, se é isso que queres.»</p>
<p>Ele olhou-me profundamente nos olhos, com os seus húmidos de dor. Senti-me tão abismada com a dimensão do seu sentir que me vi obrigada a olhar para baixo, a procurar um ponto de referência que me deixasse confortável.</p>
<p>Ele estendeu os braços. Abracei-o. Nada mais podíamos fazer. Ela não ia voltar. E não voltou, até hoje.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Secrets &#8211; One Republic</p>

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		<title>it takes three to Tango</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 20:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre gostei de te ver dançar. A sensualidade dos teus movimentos tem um efeito sufocante na minha respiração. Mas eu gosto que me sufoques, como só tu sabes. Apetece-me tirar-te a camisa, rasga-la com as minhas próprias mãos e permitir que a dança continue. Tu e ela. E eu, observadora atenta dos teus passos, qual <a href='http://olharapalavra.com/?p=315'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC0106.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-316" title="_DSC0106" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC0106.jpg" alt="" width="750" height="500" /></a></p>
<p>Sempre gostei de te ver dançar. A sensualidade dos teus movimentos tem um efeito sufocante na minha respiração. Mas eu gosto que me sufoques, como só tu sabes.</p>
<p>Apetece-me tirar-te a camisa, rasga-la com as minhas próprias mãos e permitir que a dança continue. Tu e ela.</p>
<p>E eu, observadora atenta dos teus passos, qual predador que se aproxima cautelosamente da sua presa (na verdade, das duas presas) deixo que o calor percorra a minha alma.</p>
<p>Hoje sou eu quem vai dominar. Sou eu quem vai conduzir o tango dos três corpos que se querem e se desejam; que vibram, que trocam prazer sem fim.</p>
<p>O tango que também é das almas. Almas que buscam o acontecer da sua fantasia. A três.</p>
<p>Quem diria que os nossos caminhos se cruzariam desta forma tão prazeirosa? Que ambos (os três) nos iríamos embrulhar em suor ilustrado com pedidos de quem não se satisfaz facilmente? De quem quer mais?</p>
<p>Sempre gostei de te ver dançar. Tu e ela. A dançar em mim.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Santa Maria &#8211; Gothan Project</p>

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		<title>sem título</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 01:28:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Escolhas. Sempre as fez sem pensar muito. Sempre foi daquele tipo de se deixar ir pelo que sentia nos momentos. E depois? Depois logo se veria. Logo se havia de preocupar. É um indivíduo de poucas pré-ocupações. Não quer saber de nada que não seja o aqui e agora. Que inveja! Dessa capacidade de estar <a href='http://olharapalavra.com/?p=309'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/32542_121028564591541_100000531942105_201548_2805022_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-310" title="32542_121028564591541_100000531942105_201548_2805022_n" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/32542_121028564591541_100000531942105_201548_2805022_n.jpg" alt="" width="720" height="478" /></a></p>
<p><img src="file:///C:/Users/on3/AppData/Local/Temp/moz-screenshot.png" alt="" /></p>
<p>Escolhas. Sempre as fez sem pensar muito. Sempre foi daquele tipo de se deixar ir pelo que sentia nos momentos. E depois? Depois logo se veria. Logo se havia de preocupar.</p>
<p>É um indivíduo de poucas pré-ocupações. Não quer saber de nada que não seja o aqui e agora.</p>
<p>Que inveja! Dessa capacidade de estar e pronto.</p>
<p>- Conta-me o teu segredo.</p>
<p>- Não há segredo algum – respondeu-me.</p>
<p>- Mas como não? Como não teres um segredo que seja a chave para esse apaziguar da alma que defendes como bandeira? Bolas, sabes lá tu o que me custa a mim escolher. É toda uma alma que se dilacera e…</p>
<p>- De manhã, tens dificuldade em escolher a roupa que vais vestir?</p>
<p>Respondi que não. E é verdade. Abro o armário e escolho sem dramas, sem hesitação.</p>
<p>- Então… o que custa escolher? Escolhe-se e pronto.</p>
<p>Não fiquei convencida. E desde esse dia que me levanto 15 minutos mais cedo para escolher o que vestir. Tornou-se um problema. Maior. A tua simplicidade não conseguiu largar o carril e empurrar a minha complexidade num sentido diverso.</p>
<p>Vidas! – é assim que o povo diz, certo?</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: The quest -  Bryn Christopher</p>

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		<title>uma bebida para dois</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 00:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto da forma como voltas a mim. Parece que o tempo não passou desde o dia em que conversámos sobre o final das coisas e o princípio de tantas outras. E que conversas as nossas, passando em revista as grandes questões da humanidade. E as pequenas. As médias. As minis. Tudo era assunto de conversa. <a href='http://olharapalavra.com/?p=303'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/Uma-bebida-para-dois.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-304" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/Uma-bebida-para-dois.jpg" alt="" width="750" height="580" /></a></p>
<p>Gosto da forma como voltas a mim. Parece que o tempo não passou desde o dia em que conversámos sobre o final das coisas e o princípio de tantas outras. E que conversas as nossas, passando em revista as grandes questões da humanidade. E as pequenas. As médias. As minis. Tudo era assunto de conversa. Ainda é. Quando voltas a mim.</p>
<p>Juro que nunca te consegui alcançar. Sim, eu acenava, acompanhava-te na conversa, assentindo com um monossílabo aqui e ali e uma ou outra interjeição. Mas não a conseguia transpirar na pele, como acontecia contigo.</p>
<p>É que… bem, tu falas com todos os teus poros presentes nas tuas palavras. Impressionante.</p>
<p>Mas depois desapareces. Deixas a mesa vazia, aquela onde partilhamos o granizado de limão. E vais espalhar magia para outra mesa, para outra freguesia, sem olhar para trás.</p>
<p>E isso não me incomoda, por saber que vais voltar à minha mesa, que eu vou pedir o granizado com duas palhinhas. E tu vais contar-me dessas tuas viagens e visitas às freguesias alheias. E eu vou deleitar-me com a tua conversa. Como sempre. Fazendo dela o açúcar que faz falta à minha bebida.</p>
<p>Que bom é ter-te na minha vida, sempre que a ela regressas.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de Marco A. Pires</p>
<p>Música : Breathe me &#8211; Sia</p>

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		<title>há sempre três versões (ou mais) para a mesma história</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 18:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Consigo avançar. Porque para mim a ideia de estar parada nas circunstâncias das coisas não me é agradável. Não gosto de parar, por força da dor que sinto. Não quero. E não vou parar. Consigo dar um passo em frente. «Como?» É simples, um pé à frente do outro. Não sei andar de lado, nem <a href='http://olharapalavra.com/?p=298'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/DSC0282.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-299" title="_DSC0282" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/DSC0282.jpg" alt="" width="498" height="750" /></a></p>
<p>Consigo avançar. Porque para mim a ideia de estar parada nas circunstâncias das coisas não me é agradável.</p>
<p>Não gosto de parar, por força da dor que sinto. Não quero. E não vou parar.</p>
<p>Consigo dar um passo em frente. «Como?» É simples, um pé à frente do outro. Não sei andar de lado, nem para trás. Esqueces que não sou Caranguejo de signo? E nem o possuo no meu ascendente?</p>
<p>Esqueces, pois. Porque queres ver em mim alguém que não sou, mas que é a resposta para toda a tua solidão, desencontro, des-caminho e perdição.</p>
<p>E queres ver isso, tanto que esqueces os dois lados que cada história comporta. Histórias há que têm três lados, mas disso falaremos um dia mais tarde. Aliás, já falámos e tu já esqueceste.</p>
<p>Eu sou o outro lado da história e não estou a acompanhar a narrativa. É que nem me deixas escrevê-la, decidir a cena seguinte. Ficas aí, no teu canto. A perspectivar cenários, a achar que me assentam bem. E eis que surge o momento da verdade e tudo cai por terra.</p>
<p>Desculpa, mas eu consigo avançar.</p>
<p>Não sei se vou conseguir continuar a marcar presença na tua vida, mas te garanto que consigo avançar.</p>
<p>Mesmo que isso signifique enganar-me a mim própria. Ou até escrever coisas tortas em linhas… igualmente tortas.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Crystalised &#8211; The XX</p>

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		<title>just an illusion</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 23:12:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não gosto da forma como sais disto, carregando nas mãos o troféu de quem fez tudo por tudo e nunca errou. É que não gosto mesmo. Irrita-me a forma presunçosa como agiste, comprando argumentos como quem lança dados já viciados. Irrita-me o arzinho de cachorro abandonado com que te mascaras perante os outros. Irrita-me que <a href='http://olharapalavra.com/?p=293'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/Susana-Batista-por-João-Paca.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-294" title="Susana Batista por João Paca" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/Susana-Batista-por-João-Paca.jpg" alt="" width="498" height="750" /></a></p>
<p>Não gosto da forma como sais disto, carregando nas mãos o troféu de quem fez tudo por tudo e nunca errou. É que não gosto mesmo. Irrita-me a forma presunçosa como agiste, comprando argumentos como quem lança dados já viciados.</p>
<p>Irrita-me o arzinho de cachorro abandonado com que te mascaras perante os outros. Irrita-me que os outros me olhem como aquela que tinha tudo para ser feliz</p>
<p>(a teu lado, claro)</p>
<p>e abdicou disso por coisinhas menores.</p>
<p>Ah! Esse papel fica-te tão bem. E é melhor assim, pois eu nunca tive muito jeito para fingir. Já tu, assumes o fingimento na perfeição</p>
<p>(farias inveja ao Pessoa, te garanto)</p>
<p>e passeias pelas ruas da tua vida com a máscara perfeita.</p>
<p>Lamento que te tenhas enganado a ti próprio. E que aquilo que pensaste para um «nós» que não chegou a existir tenha sido refutado. Lamento ter perdido tempo a segurar as pontas para fazer um nó(s) maior.</p>
<p>E eu que não gosto nada de perder tempo.</p>
<p>E eu que não vou mais vou perder tempo. Contigo.</p>
<p>E isso, caro amigo, eu não vou nunca lamentar.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Just An Illusion &#8211; Imagination</p>

<p><a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save"><img src="http://olharapalavra.com/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>a (tua) tela</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 23:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Guardo aquele momento cristalizado na minha memória. Como preferia não o ter vivido. Não ter trocado as palavras que troquei contigo. Não seria capaz de o viver de novo. De te dizer o que disse. Por isso decidi fixá-lo num dia e numa hora que não quero lembrar. Como uma tela que se pintou um <a href='http://olharapalavra.com/?p=288'>[...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/quadro_da_agua2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-289" title="quadro_da_agua(2)" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/quadro_da_agua2.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p>Guardo aquele momento cristalizado na minha memória. Como preferia não o ter vivido. Não ter trocado as palavras que troquei contigo.</p>
<p>Não seria capaz de o viver de novo. De te dizer o que disse. Por isso decidi fixá-lo num dia e numa hora que não quero lembrar. Como uma tela que se pintou um dia e que fica ali, sem tempo, fixa numa parede.</p>
<p>Preferia tê-la fixa, no fundo de um lago, para que a sua imagem ficasse turva e eu pudesse esquecer as tais palavras. Aquelas que trocámos e com as quais nos magoámos. E ferimos o que tínhamos construído.</p>
<p>A tela outrora pintada jaz agora no fundo de um qualquer lago de emoções; sempre que a olho, consigo vê-la de forma diferente, seguindo a ondulação que a água (o tempo) lhe provoca. Sempre diferente, mas sempre certeira na dor, a tela ali vai continuar.</p>
<p>E tu segues o teu caminho. Levas contigo o pote das tintas, os pincéis e a arte que é só tua e que pintou um outro eu, que não consigo mais ser.</p>
<p>E eu sigo o meu caminho. À beira do rio, onde jaz a tela. A tua tela. Que nunca foi verdadeiramente minha.</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de Marco A. Pires</p>
<p>Música: Between Two Lungs &#8211; Florence And The Machine</p>

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		<title>terceiro termo</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 22:59:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem sou eu? (ora aí está uma pergunta interessante da tua parte. Talvez interesseira, também. Mas certamente interessada) De dia, uma executiva irrepreensível. Gosto do meu trabalho. Com ele ganho o dinheiro suficiente para gastar naquilo que me deixa feliz: copos, roupa, sapatos, malas. Assumo a futilidade do meu ser sem qualquer preconceito. E os <a href='http://olharapalavra.com/?p=282'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/DSC0181.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-283" title="_DSC0181" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/07/DSC0181.jpg" alt="" width="458" height="750" /></a></p>
<p>Quem sou eu?</p>
<p>(ora aí está uma pergunta interessante da tua parte. Talvez interesseira, também. Mas certamente interessada)</p>
<p>De dia, uma executiva irrepreensível. Gosto do meu trabalho. Com ele ganho o dinheiro suficiente para gastar naquilo que me deixa feliz: copos, roupa, sapatos, malas.</p>
<p>Assumo a futilidade do meu ser sem qualquer preconceito. E os meus dois mundos. Mesmo quando estes se cruzam.</p>
<p>(Dois mundos?)</p>
<p>À noite, sou aquela que deixa homens</p>
<p>(e mulheres!)</p>
<p>loucos, excitados, por me verem em palco a realizar as suas fantasias.</p>
<p>Dançar. O meu corpo e a música em plena sintonia.</p>
<p>Considero-me uma mulher clássica. Sim, clássica.</p>
<p>A vida dupla é um clássico da história da humanidade, seja na forma do marido que tem esposa e amante; seja na forma da amante daquele que é amiga</p>
<p>(da esposa)</p>
<p>e também tem o seu próprio marido.</p>
<p>Um clássico, que adaptei à minha maneira. Sim, porque gosto muito de voltar para casa sozinha e dispenso ser esposa ou amante de alguém.</p>
<p>Prefiro chegar a casa, retirar maquilhagem, preparar o duche. Substituir os saltos agulha pelas pantufas com o Scooby Doo.</p>
<p>(E eis que agora toda a loucura e excitação à minha volta caiem por terra)</p>
<p>E deliciar-me com o silêncio. Sem telefones a tocar, ou as luzes do palco.</p>
<p>Sem os olhares lascivos. Eu, apenas eu.</p>
<p>A minha vida dupla conhece um terceiro termo, protagonizado igualmente por mim, onde me encontro comigo e posso finalmente adormecer e sossegar quem sou.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Eyes on fire -  Blue Foundation</p>

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		<title>um dia vou Ser uma multinacional de sucesso</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 21:19:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem-me que o segredo das multinacionais é a dimensão relativa aos processos. Explica-se o seu bom funcionamento e o seu sucesso pelo facto de haver scripts para que cada colaborador possa desempenhar a sua função. A pergunta que se impõe… melhor! A pergunta que eu imponho é: e scripts para a everyday life? Alguém conhece? <a href='http://olharapalavra.com/?p=276'>[...]</a>]]></description>
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<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/06/DSC0406.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-277" title="_DSC0406" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/06/DSC0406.jpg" alt="" width="750" height="498" /></a></p>
<p>Dizem-me que o segredo das multinacionais é a dimensão relativa aos processos. Explica-se o seu bom funcionamento e o seu sucesso pelo facto de haver scripts para que cada colaborador possa desempenhar a sua função.</p>
<p>A pergunta que se impõe… melhor! A pergunta que eu imponho é: e scripts para a <em>everyday life</em>? Alguém conhece? Alguém tem?</p>
<p>Alguém se candidata a redigi-los?</p>
<p>Alguém?</p>
<p>(Não estou a ver braços no ar…)</p>
<p>Compreendo. Seria demasiado aborrecido operacionalizar a vida e a sua riqueza com um conjunto de scripts. Ou então não. Talvez haja toda uma série de vantagens em perder a espontaneidade e eliminar a possibilidade de erro.</p>
<p>Num plano ideal poderíamos colocar a situação em espera, como nos fazem nas chamadas para os serviços de apoio. Deixamos o outro a ouvir uma música de estilo Michael Bolton, até que se encontre o procedimento ideal para a questão colocada.</p>
<p>«<em>A tua questão é importante para mim. P.f. não desligues</em>.»</p>
<p>E o que fazer quando o outro efectivamente desliga, porque desistiu de esperar?</p>
<p>Haverá script para isso?</p>
<p>(Mais uma vez, não estou a ver braços no ar…)</p>
<p>Mas posso, ao menos, fazer off à música do Michael Bolton?</p>
<p>Texto de  Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: Said I love you but I lie &#8211; Michael Bolton</p>

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		<title>Já sou quem tu queres que eu seja…</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 23:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olharapalavra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Três olhares, uma caneta, quatro formas de sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[…tenho um emprego e uma vida normal» A verdade é que não sou quem tu queres que eu seja. E a palavra normal não se aplica, de todo, à minha pessoa. É como ter um tacho e uma dúzia de tampas que simplesmente não encaixam. É como enfiar o Rossio na Rua da Betesga. Ou <a href='http://olharapalavra.com/?p=268'>[...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/06/DSC0028.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-269" title="_DSC0028" src="http://olharapalavra.com/wp-content/uploads/2010/06/DSC0028.jpg" alt="" width="485" height="750" /></a></p>
<p>…tenho um emprego e uma vida normal»</p>
<p>A verdade é que não sou quem tu queres que eu seja. E a palavra normal não se aplica, de todo, à minha pessoa. É como ter um tacho e uma dúzia de tampas que simplesmente não encaixam. É como enfiar o Rossio na Rua da Betesga. Ou querer vestir um S, quando o ideal é um L.</p>
<p>Como dizem os ingleses, <em>it doesn’t fit</em>!</p>
<p>Por mais que queiras e que lutes, sustenhas a respiração, encolhas o peito, as costas, simplesmente não serve!</p>
<p>E com a camisola atravessada, baixas os braços, como que a dizer</p>
<p>- E agora?</p>
<p>Não era suposto vestir isto e passear-me com esta camisola feita só a pensar em mim? E que sempre ambicionou, desde que os fios se entrelaçaram na fábrica, ser vestida por mim (e apenas por mim)?</p>
<p>Se calhar, era. Se calhar, não.</p>
<p>E agora? Tenho a camisola meio vestida, meio despida. E se não fosse cá por aquelas coisas do pudor, até te pedia para me ajudares a vestir (despir?). Mas tenho cá para mim os meus limites. E hoje não vesti a minha melhor roupa interior. Tenho receio que percebas que afinal não sou uma mulher sofisticada e não uso rendas. Gosto de algodão. Porque é simples, prático e não exige grandes tratamentos. Já eu, sou complexa, pouco prática e exijo ser tratada que nem uma princesa (sim, incomodam-me as ervilhas debaixo do colchão).</p>
<p>Por mais que eu queira, esta camisola não serve. Importas-te de me fazer chegar outra, dois números acima? Obrigada.</p>
<p>«O teu bem faz-me tão mal!»</p>
<p>Texto de Joana Sousa</p>
<p>Fotografia de João Paca</p>
<p>Música: mal por mal – Deolinda</p>
<p>Nota: o título foi «roubado» à música da Deolinda. Obrigada pela inspiração!</p>

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