Mais um verão começou!

A contagem decrescente começa, a ansiedade invade-me as veias, esta quase!

Não tarda mais uma de tantas etapas por caminhos de Portugal começa! Apenas e só com um destino em mente, a terra, a aldeia que me viu nascer.

Uma aldeia de saudades sentidas por todos aqueles que um dia de lá saíram. Mas que, quando voltam no verão de Agosto, dão de novo uma vida merecida a aldeia que trazem no coração. Rever as suas gentes, aquelas que de lá não saem, nem pensam em sair, sentir o seu aconchego, as suas saudades… o acolhimento que lhes é tão natural, reconhecido por aqueles que lá vão pela primeira vez e que sempre desejam lá voltar.

È um lugar mágico onde respiro tranquilamente, onde me encontro com o que mais gosto, o silêncio. Sim, o silêncio. Da cidade, dos carros, do stress das pessoas, até mesmo o do telemóvel.

O som da natureza que me embala é o mesmo que me acorda; poderiam dizer que é sempre igual, mas desenganem-se, porque cada acordar é único e diferente…

Apesar de ser uma aldeia pequena e quase desabitada, que nem um café tem, perdida nos montes e vales transmontanos onde não se passa nada. Bem, «nada» como quem diz, passa-se muita coisa… muitas histórias guardo no livro do meu destino, cada ida a Sandim é um novo capítulo de tantas histórias que ficam por acabar… e é melhor assim!

Quem disse que as histórias têm que ter um fim?

Para nunca esquecer as minhas origens, de onde me trouxeram, mas o mais importante, saber onde pertenço… Sandim!

Fotografia e Texto de Marco A. Pires

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Imagem 029.

Chegar ao céu. Era o sonho do Diogo. Chegar ao Céu e tocar nas nuvens, saboreá-las como se fossem algodão doce. Ele olhava para as árvores e dizia quero ser como elas. Quero criar raízes aqui (e batia com o pé no chão) mas chegar ali (e apontava para o céu). Era o sonho do Diogo.

Do meu Diogo.

E eu vi-o crescer com este sonho que o vestia dos pés à cabeça, das raízes à folha mais alta da árvore, aquela que tocava o céu e lhe fazia cócegas. Sempre lhe disse que o seu sonho era bonito. Era lindo.

E queres ir comigo, mamã?

Quero.

Quero muito.

Dás-me a mão e vamos.

E fomos.

Corremos até chegar ao céu (sim, pode-se correr em direcção ao céu. Aliás eu acho que se pode tudo!)

O possível é aquela palavra que nos suscita desconfiança, porque acreditar é uma coisa de segunda. Mas eu ACREDITO que é possível.

O quê?

Tocar as nuvens, de mão dada com o meu Diogo.

Nós, as árvores, conseguimos isso e muito mais. E sempre de pé.

Texto de Joana Sousa

Fotografia de João Sousa

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Perdido em Terra

14 De Março de 2000.

Posso dizer que sou um jovem com sucesso, estudei nas melhores escolas do país, filho de pessoas bem vistas na sociedade, até bem de mais… Licenciado em gestão, acabei por ir parar a uma das melhores empresas do país.  Podia dizer que sou o melhor… mas isso não é verdade, tudo o que consegui até agora foi graças à influência dos pais que tenho.  Hoje decidi que teria de mudar de rumo, sair daqui começar de novo e de forma justa, basta de cunhas, basta de mentiras, até os estagiários sabem mais do que eu. BASTA. Não mereço aqui estar, foram dois anos de gestor… dois anos a «gerir» uma empresa que, na verdade, foram os meus subordinados a gerir, eu apenas li e assinei.

Tenho de me encontrar, saber quem sou!

Terei de ir contra tudo aquilo  que os meus pais sempre quiseram que eu fosse.

“Filho queremos o teu bem, serás um dos melhores gestores do país.”

Toda a minha infância ouvi isto, nunca foram capazes de me perguntar, «Filho, o que queres tu ser quando fores mais crescido?» PORQUÊ?! Porque que nunca o fizeram? Sempre se preocuparam com eles e apenas eles, sim a minha educação sempre foi em prol deles, viver em mentiras.

Pena nunca ter tido coragem de contar a todo a gente que era tudo fachada, que só tinham esta vida porque os pobres dos meus avós davam tudo o que tinham. A minha mãe podia admitir, não era vergonha nenhuma… mas o problema consistia nisso mesmo, a vergonha! Sim ela obrigava-os a contribuir com tudo o que tinham, apercebi-me disso há pouco tempo. Faleceram no mês passado, exaustos do trabalho de uma vida e com o desgosto de terem posto ao mundo uma filha que nunca os soube amar.

Agora exigem-me tudo, e apregoam que se não fossem eles não estaria no lugar que estou, tenho de contribuir para a casa, para os seus carros de luxo, para uma vida que não podem ter e que mesmo assim fazem… falando melhor, a vida que nunca deveriam ter tido e que tiveram graças ao esforço dos meus avós.

Farto deste mundo de injustiças, de mentiras, porque tanta hipocrisia, ganância, inveja… porquê?

Somos uma passagem neste mundo.

Todos me perguntam «Que vais tu fazer?»

Ainda não lhes disse mas o meu futuro será no mar, há uns messes deparei comigo a olhar para meia dúzia de pescadores junto à costa e disse para mim mesmo será que sou capaz? E algo dentro de mim disse que sim, irei lutar pela minha vida sem favores de ninguém, mostrar ao mundo que mesmo descalço e sem nada serei feliz! Serei porque lutei para o conseguir, sei que vão ser tempos difíceis mas é esta a minha vocação é este o meu rumo, basta deste tempo todo perdido em terra…

Texto e Fotografia de Marco A. Pires
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