Há muito que te não vejo. Não sei ao certo se passaram dois, três dias. Confesso que esse dado científico não me interessa. Sei apenas o que sinto. E é um mar de saudades, que alagou a rua do Bairro onde moro.

Na minha morada sento-me à janela para não te perder de vista se, por alguma razão, me vieres visitar.

Por alguma razão.

Nem tudo são rosas e no jardim da minha morada os espinhos lembram as palavras azedas e sem cor que trocámos. Não te sei dizer o quanto estou arrependida por… enfim, por te ter acusado de estares longe. E, mais do que isso, distante.

Como se a tua rua e o meu bairro fossem na ponta oposta do mundo. Nada do que digo te aproxima. Aliás, qualquer palavra minha te conduz para longe (ainda mais longe).

E há muito que tinha medo que isso acontecesse. Tinha tanto medo! Talvez por te querer tão perto, não soube cuidar de ti.

É um clássico, esta coisa de, por tanto querer alguém, a deixar desaparecer por entre os dedos, como a areia fina da praia. É um lugar comum.

Como este lugar onde te espero, onde moro, eu, e a minha saudade. Com esperança de te ver subir a rua. E poder abraçar-te muito.

Texto de Joana Sousa

Fotografia de Marco A. Pires

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Decorre o novo século, passamos por um Outono que mal se viu… um inverno que não se fez sentir… Eis que chega a tão desejada primavera… um novo dia começa, ouvem-se os seus cantos, sentem-se os seus cheiros, e o maravilhoso das suas cores.

É o brotar da flora o nascer da fauna, a parte da magia trazida pela “mãe”, o produzir a vida por vezes amarga mas com todo o seu sentido!

Deparo-me a olhar para a nova vida e tento imaginar o quanto vai ser difícil a sua adaptação a este novo mundo, que se tornou tão violento, um mundo onde poucos ou mesmo “ninguém” reparam em vós, onde esse mesmo “ninguém” não sabe o que é acordar com o vosso cantar, essa alegria que transportam apesar de todas as divergências causadas por esse “ninguém”.

Este não é o caminho que é suposto viver, cheio de “insucesso” onde o mais forte impera, onde os fracos são destruídos, mas esquecendo-se que com tanto poder e evolução é o “ninguém” que se ira destruir a ele mesmo, levando com ele tudo e onde um dia vocês sejam apenas memórias do nascer de uma nova vida!

Texto e Fotografia de Marco A. Pires

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Momentos há em que o medo e a confusão dão lugar à tranquilidade e à certeza.

Do nada. De um mero acaso (talvez orquestrado pelos deuses). Chamemos-lhe um tropeção. Que tal?

Se eu conseguisse fazer com que as agulhas do tempo voltassem atrás, tudo faria para voltar a tropeçar em ti. Só para poder sentir o que sinto hoje.

E o que sentes tu, por mim? – perguntas.

Queres mesmo saber?

Senta-te aqui, comigo. Vês o tempo a passar? Ouves o tic tac dos relógios?

Eu não. Porque o tempo não existe, a partir do momento em que tu chegas. E é bom viver sem tempo. Sem tic tac. Com tranquilidade e a certeza de que quero este agora contigo. De que quero o teu ser entranhado em mim.

Se eu fosse romântica, escrevia-te uma carta de amor.

Importas-te que falemos de coisas vulgares? Do tempo. Daquele outro. Do faz chuva, do faz sol.

Importas-te que partilhemos o silêncio (sem tic tac)? E que te possa olhar com a seriedade de quem ama alguém?

Se eu fosse séria, abandonava o sorriso por um segundo para te dizer como o meu mundo se tornou «muito enorme» desde o momento em que em ti tropecei. Não o sendo, convido-te a sorrir comigo.

Agora!

Texto de  Joana Sousa

Fotografia de João Sousa

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