Archive for January, 2011

[sem título]

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Estas veias, minhas, onde corre o sangue que me faz sobreviver. Veias essas que transportam o saber de uma vida que já não é criança. Sangue que é bombeado pelo motor dos sentidos, que bombeia nestas veias, minhas, uma arte que irriga todo o corpo e que me faz escrever. Faz-me ver para ler, ajuda os pulmões a absorver o ar que necessito para respirar. Mas essa dita arte é aquela que me faz sonhar e acreditar que é possível. Veias, minhas e tuas, de toda a gente. Veias.

Procura nelas todo o teu saber, vive as suas emoções e sente… sente os sentimentos que elas te proporcionam. Só assim podemos dar valor ao que transportamos.

Veias.

Sentimentos.

Que dão origem ao que transformo com um pincel ou um pouco de madeira, retratado numa tela pintada pela máquina que fotografa o momento.

olhar de  Joana Sousa | palavras de Marco A. Pires | banda sonora de Hurts [Stay]

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não sei se dura sempre esse teu beijo

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- Acho que falas demais.

Não percebi a razão de ser daquela observação. Afinal, este seria um almoço informal, mas não pessoal. Há uma barreira ténue a separar a informalidade da… bom, diria pessoalidade. Mas nem sei se esta palavra existe.

- E depois não dizes o que quero ouvir.

E ali estava ela. Imparável, no seu melhor. Foi por isso que a escolhi para minha companheira. Namorada. Isso, vocês compreendem.

- Devias acordar e ligar-me para dizer que me amas. Assim, todos os dias!

É tempo de referir que este cenário romântico tinha lugar durante a minha hora de almoça (que dura apenas uma hora) enquanto ambos nos deliciávamos com hambúrguer, batatas fritas e coca-cola.

- Quando vivermos juntos, posso limitar-me a acotovelar-te e dizer que gosto muito de ti. Assim pela manhã. Boa? – disse, enquanto observava o molho do hambúrguer a escorregar para dentro do seu decote.

- Ouve lá! – ela arregalou os olhos – mas estás a almoçar comigo e não paras de me olhar para as… – e desceu o tom de voz – mamas?

Soltei uma gargalhada. Esta mulher é fabulosa. Nem lhe disse que ia ficar com uma nódoa na blusa, mas daquelas que duram uma eternidade. Ela iria descobrir. E praguejar. E eu não queria estar por perto nessa altura.

- És tão romântica, ‘môr. – disse-lhe, enquanto arrumava o lixo e os restos do almoço no tabuleiro. – Mas agora vou trabalhar. Ligo-te amanhã de manhã. Promete que não vais responder ao «eu amo-te» com um daqueles teus grunhidos matinais!

olhar e palavras de Joana Sousa

banda sonora de  The Gossip  [Whats Love Got To Do With It ]

Nota: o título é inspirado num dos versos de «Lisboa que amanhece», de Sérgio Godinho

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