Archive for August, 2011

fica com a tua opinião, que eu fico com a minha.

o mundo da doxa é perigoso. Platão já me tinha alertado para isso. mas a minha memória não chega para tudo, como devem calcular. acontece que de vez em quando deixo escapar uma opinião. esta salta-me da boca sem pedir licença e sem explicar porquê. depois, ganha corpo e só consegue ver coisas que lhe sejam semelhantes.

as opiniões não gostam de coisas diferentes, ganham uma alergia na pele e a pessoa que a emite ganha comichões insuportáveis ao nível do intelecto. e como ninguém gosta de comichões destas, o truque está em evitá-las. entenda-se: em evitar as opiniões diferentes. em buscar a companhia dos iguais.

fica com a tua opinião, que eu fico com a minha. mas não com a minha opinião. eu fico com a minha ideia, pois esta não me deixa a pele (nem a cabeça) irritada com a diferença e já ganhou anti-corpos face às inflamações do ego nas quais se tropeça todos os dias.

e eu espero. que as tuas ideias surjam, para as podermos discutir. olhar. analisar e saborear. e  sobretudo misturar. como as pintarolas e o iogurte.

 

olhar e palavras de Joana Sousa

para acompanhar com Aretha Franklin | Chain of Fools

 

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que se cumpra Sidharta

Sidharta sentou-se. Estava efectivamente cansado. E tinha fome. Por um dia não queria ser o Buda, apenas por um dia. E não queria iluminar ninguém. Sim, a vontade. Sidharta cedeu à vontade de ser como todos nós: um ser com vontade, que sente o cansaço e a fome e não sabe o que fazer com o desejo. E sobretudo, que não tem luz própria, sugando aquela que os Iluminados projectam no mundo. Apenas por um dia, Sidharta cedeu à vontade e viu cumprido o seu desejo: a luz surgiu, para o acalentar. Com o queixo apoiado nas mãos, Sidharta fechou os olhos, respirou fundo e recordou o seu passado. Sentiu as saudades de casa, da família. Recordou os banquetes e as vestes ricas. As mulheres que o rodeavam e lhe ofereciam o corpo. O filho, a mulher. Os pais. O conforto. Abriu os olhos. Sentiu o momento presente. Lançou-se no aqui e agora, com saudades do futuro e sem apego ao passado. Era Sidharta. Tinha que cumprir-se enquanto tal.

olhar de João Sousa | palavras de Joana Sousa

para acompanhar com silêncio

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quando o cansaço vence

houve aquele momento em que desististe. sentaste-te na margem de cá e baixaste os braços. não estavamos à espera desta atitude. habituaste-nos a arregaçar as mangas, a sorrir e a ir em frente. mesmo que o caminho fosse torto (e em tantos momentos caíste, sacudiste a poeira e seguiste) mantinhas um objectivo, com firmeza e vontade. «vamos dar cabo disto». mas isto deu cabo de ti. e não terá sido a doença, mas sim o cansaço da luta. foram anos, meses, dias, horas a viver com um mal dentro de ti e a fazer tudo para o expulsar. o cansaço apoderou-se. nós sabemos, nós compreendemos. mas não aceitamos. e hoje sabemos que estás na margem de lá a descansar. descanso merecido. até um dia destes.

olhar e palavras de Joana Sousa

para acompanhar com Genesis |  The Carpet Crawlers

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O livro Olhar a Palavra é um livro solidário

“O sitio de um palhaço não é um hospital, mas o de uma criança também não é”. (Michael Christensen)

O nosso livro, Olhar a Palavra, apoia a acção dos Doutores Palhaços Remédios do Riso

podem encomendá-lo através do site Almalusa.org

o livro é entregue via CTT e existe a opção de pagamento por transferência bancária