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Encontrei. Encontrei os sonhos outrora escritos num papel.
Nunca mais me tinha lembrado daquele papel que prometi não abandonar. E acabei mesmo por abandonar, tal foi a surpresa de o ter encontrado.
Agora que leio a lista, vejo que não foi só o papel a ficar abandonado, mas também os sonhos. Ficou tudo numa gaveta, porque a rapidez e a emergência da vida não me deixaram tempo para os sonhos. Sim, dizer que a culpa é da vida é cobarde, pois a vida sou eu, certo? Concluo, então, que a culpa foi minha. Definitivamente minha.
Respiro fundo e leio de novo aquilo que escrevi com a minha própria letra.
Encontrei os sonhos outrora escritos num papel. Mas não me reconheço. Não sou hoje aquilo que tanto desejei ser há uns anos.
Será que ainda vou a tempo de mudar? Olho para o relógio: o tempo não pára.
Eu é que parei, suspendi a minha vida por causa… da «vida» que nunca pensei vir a ter.
E agora?
Encolho os ombros. Procuro uma caneta, um papel. Vou começar de novo.
Escrever de novo, ser de novo. E rasgar o que já fui.
Texto: Joana Sousa
Fotografia: João Paca
Música: Lilac Wine – Jeff Buckley featuring Imelda May

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