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Não gosto da forma como sais disto, carregando nas mãos o troféu de quem fez tudo por tudo e nunca errou. É que não gosto mesmo. Irrita-me a forma presunçosa como agiste, comprando argumentos como quem lança dados já viciados.
Irrita-me o arzinho de cachorro abandonado com que te mascaras perante os outros. Irrita-me que os outros me olhem como aquela que tinha tudo para ser feliz
(a teu lado, claro)
e abdicou disso por coisinhas menores.
Ah! Esse papel fica-te tão bem. E é melhor assim, pois eu nunca tive muito jeito para fingir. Já tu, assumes o fingimento na perfeição
(farias inveja ao Pessoa, te garanto)
e passeias pelas ruas da tua vida com a máscara perfeita.
Lamento que te tenhas enganado a ti próprio. E que aquilo que pensaste para um «nós» que não chegou a existir tenha sido refutado. Lamento ter perdido tempo a segurar as pontas para fazer um nó(s) maior.
E eu que não gosto nada de perder tempo.
E eu que não vou mais vou perder tempo. Contigo.
E isso, caro amigo, eu não vou nunca lamentar.
Texto de Joana Sousa
Fotografia de João Paca
Música: Just An Illusion – Imagination

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