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Consigo avançar. Porque para mim a ideia de estar parada nas circunstâncias das coisas não me é agradável.

Não gosto de parar, por força da dor que sinto. Não quero. E não vou parar.

Consigo dar um passo em frente. «Como?» É simples, um pé à frente do outro. Não sei andar de lado, nem para trás. Esqueces que não sou Caranguejo de signo? E nem o possuo no meu ascendente?

Esqueces, pois. Porque queres ver em mim alguém que não sou, mas que é a resposta para toda a tua solidão, desencontro, des-caminho e perdição.

E queres ver isso, tanto que esqueces os dois lados que cada história comporta. Histórias há que têm três lados, mas disso falaremos um dia mais tarde. Aliás, já falámos e tu já esqueceste.

Eu sou o outro lado da história e não estou a acompanhar a narrativa. É que nem me deixas escrevê-la, decidir a cena seguinte. Ficas aí, no teu canto. A perspectivar cenários, a achar que me assentam bem. E eis que surge o momento da verdade e tudo cai por terra.

Desculpa, mas eu consigo avançar.

Não sei se vou conseguir continuar a marcar presença na tua vida, mas te garanto que consigo avançar.

Mesmo que isso signifique enganar-me a mim própria. Ou até escrever coisas tortas em linhas… igualmente tortas.

Texto de Joana Sousa

Fotografia de João Paca

Música: Crystalised – The XX

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