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Gosto da forma como voltas a mim. Parece que o tempo não passou desde o dia em que conversámos sobre o final das coisas e o princípio de tantas outras. E que conversas as nossas, passando em revista as grandes questões da humanidade. E as pequenas. As médias. As minis. Tudo era assunto de conversa. Ainda é. Quando voltas a mim.

Juro que nunca te consegui alcançar. Sim, eu acenava, acompanhava-te na conversa, assentindo com um monossílabo aqui e ali e uma ou outra interjeição. Mas não a conseguia transpirar na pele, como acontecia contigo.

É que… bem, tu falas com todos os teus poros presentes nas tuas palavras. Impressionante.

Mas depois desapareces. Deixas a mesa vazia, aquela onde partilhamos o granizado de limão. E vais espalhar magia para outra mesa, para outra freguesia, sem olhar para trás.

E isso não me incomoda, por saber que vais voltar à minha mesa, que eu vou pedir o granizado com duas palhinhas. E tu vais contar-me dessas tuas viagens e visitas às freguesias alheias. E eu vou deleitar-me com a tua conversa. Como sempre. Fazendo dela o açúcar que faz falta à minha bebida.

Que bom é ter-te na minha vida, sempre que a ela regressas.

Texto de Joana Sousa

Fotografia de Marco A. Pires

Música : Breathe me – Sia

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