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Escolhas. Sempre as fez sem pensar muito. Sempre foi daquele tipo de se deixar ir pelo que sentia nos momentos. E depois? Depois logo se veria. Logo se havia de preocupar.
É um indivíduo de poucas pré-ocupações. Não quer saber de nada que não seja o aqui e agora.
Que inveja! Dessa capacidade de estar e pronto.
- Conta-me o teu segredo.
- Não há segredo algum – respondeu-me.
- Mas como não? Como não teres um segredo que seja a chave para esse apaziguar da alma que defendes como bandeira? Bolas, sabes lá tu o que me custa a mim escolher. É toda uma alma que se dilacera e…
- De manhã, tens dificuldade em escolher a roupa que vais vestir?
Respondi que não. E é verdade. Abro o armário e escolho sem dramas, sem hesitação.
- Então… o que custa escolher? Escolhe-se e pronto.
Não fiquei convencida. E desde esse dia que me levanto 15 minutos mais cedo para escolher o que vestir. Tornou-se um problema. Maior. A tua simplicidade não conseguiu largar o carril e empurrar a minha complexidade num sentido diverso.
Vidas! – é assim que o povo diz, certo?
Texto de Joana Sousa
Fotografia de João Paca
Música: The quest - Bryn Christopher

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