
Era bom acordar e adormecer com as tuas palavras. Nem sempre me dava conta disso, mas o certo é que o sorriso tomava conta de mim assim que te sabia por perto. Isso não impedia que as saudades apertassem de vez em quando.
Surgiam as questões, os porquês, os comos. Sempre esta necessidade de compreender o que se passa à minha volta. É difícil aceitar. É difícil colocar o «on» no Buda em que em mim existe e sossegar a alma… Shiuuu são coisas boas! Não há motivo para alarme.
E perante as minhas dúvidas e hesitações tive uma atenção compreensiva, da tua parte. As conversas foram eliminando as impurezas do excesso de racionalidade. Sim, vamos resolvendo as coisas, é bom conversar sobre aquilo que está entre o eu e o tu [o nós].
Um dia deixei de ter resposta. Na verdade, respondias-me, mas estavas tão longe que um turbilhão de perguntas me assombrou. A primeira: que terei eu feito de errado?
Consultei o catálogo de palavras utilizadas e analisei o tom, o conteúdo, as pausas, os pontos finais, as vírgulas… passei a pente fino a gramática. Nada.
Perguntei. Fui directa. Repara, nem sempre o consigo fazer, por ser difícil assumir que estou a viver algo que simplesmente não compreendo. E aqui nem falo dos porquês que a razão [supostamente] explica. Falo dos porquês que só o meu coração procura. E não encontra.
Mais uma vez, uma resposta que senti plena de opacidade. Admito que não o tenhas dito dessa forma, mas foi assim que senti. É assim que me sinto, na corda bamba dos sentimentos, sem saber, sem te sentir como dantes.
E assim vou ficar. À espera que o Buda [e as respostas] acordem em mim.
Fotografia e texto de Joana Sousa
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