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É o momento hic et nunc. Aqui e agora. Não podes voltar atrás, pois a decisão há muito que foi tomada. A hora é de agir. Ou deixar agir.

O que se sente? Não sei se as palavras são o quanto baste para que percebas o que é. Ver o mundo lá ao fundo, um nada que é tudo; sentir o algodão das nuvens nas mãos e o corpo (e a alma) em total queda livre. A chuva que te pica a cara e te faz sentir presente.

O desconhecido, o medo. A paz, a liberdade.

Fazer cócegas ao céu, que é azul, branco, cinza e da cor que eu o quiser pintar. Afinal, o céu (também) é meu, a partir de hoje.

Somente estar ali, entregue (literalmente) ao sabor do vento.

Perceber que o instante pode ser eterno. Compreender que cada segundo, ALI, é eterno. E sabe a pouco. É sempre pouco. Eternamente muito e pouco!

Confuso? É natural. As sensações são mistas, contraditórias e simultâneas entre si. E o pensamento flui, deambula com o vendo e as asas.

E depois os pés tocam o chão e a realidade das coisas. Volto à verticalidade das coisas, com a cabeça na horizontalidade do olhar e do sentir, em queda livre.

Faço minhas as palavras do Lenny: I wanna fly away…

Texto de Joana Sousa

Fotografia de João Sousa

Música: Fly Away – Lenny Kravitz
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Encontrei. Encontrei os sonhos outrora escritos num papel.

Nunca mais me tinha lembrado daquele papel que prometi não abandonar. E acabei mesmo por abandonar, tal foi a surpresa de o ter encontrado.

Agora que leio a lista, vejo que não foi só o papel a ficar abandonado, mas também os sonhos. Ficou tudo numa gaveta, porque a rapidez e a emergência da vida não me deixaram tempo para os sonhos. Sim, dizer que a culpa é da vida é cobarde, pois a vida sou eu, certo? Concluo, então, que a culpa foi minha. Definitivamente minha.

Respiro fundo e leio de novo aquilo que escrevi com a minha própria letra.

Encontrei os sonhos outrora escritos num papel. Mas não me reconheço. Não sou hoje aquilo que tanto desejei ser há uns anos.

Será que ainda vou a tempo de mudar? Olho para o relógio: o tempo não pára.

Eu é que parei, suspendi a minha vida por causa… da «vida» que nunca pensei vir a ter.

E agora?

Encolho os ombros. Procuro uma caneta, um papel. Vou começar de novo.

Escrever de novo, ser de novo. E rasgar o que já fui.

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Lilac Wine – Jeff Buckley featuring Imelda May

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Ele sempre teve uma má relação com as palavras. Por um lado, faz delas o seu trabalho, o seu modo de vida. Por outro lado, sente-se aprisionado pelos conceitos. Chamemos-lhe uma típica relação de amor ódio. A relação onde os opostos são vividos com a mesma intensidade e o mesmo querer.

Diz-se por aí que os opostos se atraem.

Diz-se, também, que no limite os opostos são um e o mesmo.

Diz-se – com palavras! «Sempre as palavras», pensa ele. «Porque não posso dizer com o olhar, com o tocar, com o cheirar…? Porque não tomar a ambiguidade do silêncio como forma privilegiada de comunicar?»

«Precisamente porque é ambíguo», digo-lhe. «Como é que tens a certeza que a pessoa te vai compreender? Já com as palavras é o que é… múltiplos sentidos, múltiplas formas de se dizer o mesmo…»

Procurou o tabaco nos bolsos; qual metafísico que se preze, os cigarros são uma das suas companhias preferidas. Acendeu o cigarro. Focou a sua atenção na parede da esplanada.

«Estão em todo o lado», disse.

«O quê?», perguntei enquanto me virava para trás. «Ah, as palavras.»

A parede tinha uma série de pratos expostos, com palavras inscritas. Parecia não haver ordem na escolha. Não faziam sentido.

«Parece que vais ter que te reconciliar com as palavras. Mais tarde, ou mais cedo.»

«Que seja mais tarde, então.», respondeu-me.

Pedi mais um café. A conversa ia ser longa. E silenciosa.

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Right Through You – Alanis Morissete

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A metáfora da viagem.

Ainda há dias falava sobre os caminhos, as escolhas, os atalhos.

A viagem.

A grande: aquela que nos faz sonhar e amealhar durante algum tempo. Que nos deixa ansiosos até ao momento do embarque.

(Adorava ir à Índia, já vos contei? Mas o máximo que me prometeram foi Marrocos)

E há a viagem pequena. Melhor, as viagens pequenas. As de todos os dias. Que nos deixam entediados, basicamente. Os encontrões, os olhares que não se fixam uns nos outros, a impessoalidade, a falta de respeito. O outro lado destas viagens é sentar-me, num canto, a imaginar a vida daqueles que ali se encontram. O que os move? Porque escolheram aquele livro? Que música estarão a ouvir? Porque não sorriem? Qual será a sua viagem de sonho?

(Seguramente, não será fazer Pontinha – Baixa Chiado, de metro!)

Não sonho com viagens de metro, mas usufruo da oportunidade que me dão em me cruzar com tantas formas diferentes de pessoas. Formas diferentes de ser sorriso, de ser agressivo, de ser indiferente, de SER.

E se nas vossas viagens encontrarem alguém sentado, a tomar notas, digam olá. Serei eu. E terei todo o gosto em saber o que quer que seja sobre aquilo que comigo queiram partilhar. Começamos com um sorriso. Que tal?

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Ants Marching (Live At Luther College) – Dave Matthews Band

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Vi alguém a passear… de seu nome mar,

Faço estes versos para poder remar

Contra todas as adversidades da vida,

Há quem diga que sou um Poeta ou Filósofo,

Até dizem que sei cantar.

Apenas sou um tradutor,

Que traduz em pequenos versos os sentimentos

E que gosta de ajudar…

Lá vai ele, o meu mar…

Ouvem-se as ondas a bater na sólida rocha,

É o seu cantar,

Ela é que não vai em cantigas,

Ela está firme e só a observar esse teu lindo luar…

Paixões e amores que tu observas aí do alto,

E encantas com o teu bailar

Os seres deste mar!

Podia continuar

Aqui a escrever,

Mas a noite já vai alta

E lá ao fundo já vejo o meu acordar,

É o sol que te vem dar

Um beijo de sonho para mais tarde tu voltares a encantar…

Texto e fotografia de Marco A. Pires

Música: Breathe – Alexi Murdoch

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Não sei viver com base nas escolhas. Custa-me muito decidir pelo sim ou pelo não. Chego a hesitar quando se trata de escolher entre um gelado de baunilha ou de chocolate. Não posso ter um pouco dos dois?

E o cinzento? Não é muito melhor do que ter branco ou ter preto?

E isto consome-me, sei que consome a minha alma por dentro. Viver sem ter um caminho, porque quero os dois, ou quero que os dois sejam um…

E tu não estás a ajudar. Não me ofereces uma escolha: dás-me mais e mais, sempre em duplo caminho, duplo sentido. A tua quase esquizofrenia encanta-me e atrai-me. Ainda que eu saiba que essa atracção será a morte do artista. Neste caso, a minha.

Ofereceste-me um lugar duplo na tua vida, pedes-me para ser a outra e a namorada, sem que eu tenha, nunca, em momento algum, que escolher. E como isso me agrada e me deixa feliz. E serena. É toda uma tranquilidade da alma. Não ter que te levar a festas de aniversário, não ter que fazer planos contigo. Porque hoje sou a outra e não é suposto que te conheçam. E amanhã, que sou a namorada, tu estás ocupado com a família.

Poderia eu querer mais? Uma escolha dupla, sem compromisso. Sem imposições, sem exigências. Apenas dois corpos que se unem, quando a vontade assim o entende, de forma crua, com o pacto do prazer a ditar o quando e o como.

Não sei viver com base nas escolhas e sei que não te escolhi. Mas quero-te.

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Burger Queen – Placebo

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Marcar (n)a pele. Aquilo que parecia um hábito estranho, entranhou-se em mim como um perfume que não se esquece. Como a tinta que, com a ajuda da agulha, entra em cada um dos poros para dizer «Presente. Aqui me tens.» E para toda uma vida.

Não vos vou aqui falar das histórias por detrás de cada linha. Ou daquilo que me motiva a pedir a alguém que me crave na pele um momento. O símbolo. Da porta que se fecha, da outra que se abre. Da partilha. Do falar sagrado. Do desejo. Da arte.

Arte que se quer para sempre, desenhada na pele (às vezes com esquadro e a caneta de feltro, traço a traço) para inscrever no livro das memórias (que é o meu corpo) aquilo que quero levar comigo para a eternidade.

Se a eternidade é aqui e agora, que a agulha faça o seu trabalho, que o artista pinte a tela (humana) da forma que só ele sabe. Cabe-me a mim usufruir do momento e esperar pelo instante em que o artista diz «Terminei. Gostas?»

«Hummmm sou bem capaz de a levar comigo!»

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Dark lines – The Gossip

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Gosto muito da forma como nunca me abandonas. Mesmo quando trocamos o «até amanhã» e eu viro costas e sigo direcção à minha vida. E tu viras costas e segues em direcção à tua vida. Eu deixo-te. Tu deixas-me. Mas permaneces em mim. Trago comigo uma marca profunda como se trouxesse um pedaço de ti no bolso, para cheirar, sentir, tocar.

Um dia explicas-me como conseguiste encantar-me desta maneira. Fazemos disto um estudo de caso, com pergunta de partida, objectivo de investigação, argumentos e análise de dados. E conclusões! Orientações para o futuro. Desta forma, conseguirás apresentar ao mundo os passos a seguir para encantar alguém. Podes fazer disso um livro, daqueles que, nas prateleiras das livrarias, fazem vizinhança com os «Sei lá» e os «10 passos para se sentir feliz». Daqueles que vendem. Daqueles que são lançados em grandes livrarias, com pompa e circunstância. E eu estarei presente: o teu case study, ao vivo e a cores.

Posso até dizer algumas palavras. Se estas conseguirem dizer a forma como consegues permaneSer em mim, a tua proximidade que supera a distância. A forma como isso me alegra a alma, o coração e o corpo.

E dado o sucesso do teu livro, vou ver-me obrigada a criar um grupo no Facebook, denominado «pessoas que gostam de ser encantadas à distância». E terias a oportunidade de dizer GOSTO! em cada frase que lá escrevesse. E eu responderia: gosto muito de ti, de permaneSer em ti.

Em alternativa, esquecemos o estudo, a pergunta, o livro, a pompa, a circunstância, o Facebook e vamos apenas estar juntos, para que depois possas deixar-me e, ainda assim, não me abandonar.

Texto e Fotografia de Joana Sousa

Música: Pink – Glitter In The Air

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Os dias difíceis repetem-se. Sim, não é nada meu hábito ceder à apatia. Ou desmoralizar.

Mas sim. Hoje o dia está cinzento e o céu coberto de nuvens negras. Não encontro lentes coloridas para (me)  olhar  de outra maneira. Nem quero encontrar.

É dia de mergulhar no negro, no cinzento e deixar o arco-íris na terra do nunca, no país das maravilhas… Longe!

Hoje teço elogios ao lado negro das coisas (das cores?). Uma ode à tristeza. O encolher de ombros definitivo, o baixar dos braços, o não querer saber. Não querer lutar, dizer, questionar. Chorar? Não. Isso são coisas para o menino da lágrima. Para mim não. Rendo-me ao lado negro com o olhar e o coração secos e a certeza de que, agora, é isto que eu quero.

Hoje.

Agora.

Porque é isto que vocês querem. Quase tanto como eu.

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Pearl Jam – The End

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Aborrece-me que me perguntem o que é o amor. Sou fanática pelas definições, mas só por aquelas que me ajudam a entender as coisas que me rodeiam. E sei que se definir o amor nem por isso vou ter mais facilidade em entendê-lo. Até porque, e esta é a verdade, não tenho vontade, curiosidade ou necessidade de saber ou entender o que é o amor.

Quero, sim, vivê-lo e senti-lo na pele. No mais epidérmico do meu ser que é o que tenho de mais profundo. Não me peças para explicar o que sinto. Porque não vou conseguir encontrar as palavras certas. Aliás, acho que esta minha fixação pelas definições se explica mesmo pela minha enorme falta de jeito com as palavras. Mas como disse, há coisas que prefiro não definir.

E agora diz-me tu… é para embrulhar ou para sentir já?

Texto: Joana Sousa

Fotografia: João Paca

Música: Ben Harper – Sexual Healing

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